No final de 1980, minha prima Rosane Miranda e seu marido Neidir Souza me convidaram para passar alguns dias de férias na sua residência em Porto Alegre. Passamos as festas de final de ano em Caçapava e partimos. Quando cheguei, Neidir sabendo que adorava jogar futebol, perguntou despreteciosamente se eu aceitaria fazer testes no Grêmio, já que sou colorado. A princípio achei que era brincadeira, por ser ele um tremendo brincalhão. Mas a insistência me fez acreditar que se tratava de algo mais sério, pois o contato com o clube seria um colega seu, delegado de polícia chamado Antônio Augusto que trabalhava também como plantão esportivo no Correio do Povo e Rádio Guaíba. Partí então para uma peneira juntamente com aproximadamente 280 meninos da minha idade, combinados de que meu pai a princípio não saberia pelo fato de não simpatizar com a idéia, que era meu grande sonho. Seu Eno gostaria que eu fosse aprovado no concurso para o Banco do Brasil. Bem, durante os meses de janeiro e fevereiro, todos os dias eu treinava na parte da tarde em um campo que tinha mais areião do que grama, onde hoje virou estacionamento do estádio. À medida que os dias iam passando alguns iam sendo eliminados. A coisa foi ficando séria, já que o funil ia apertando e não me mandavam embora. Acho que meu padrinho era bom, apesar de negar que tenha tido influência quando fiquei entre os 23 escolhidos e convidados a permanecer por mais algum tempo. Na época eu levava uma pequena vantagem porque era canhoto e tinham poucos que usavam a perna esquerda como preferencial. Fiquei muito feliz, mas sabia que seria impossível convencer meu pai. Neidir, Antônio Augusto e um dirigente do Grêmio, se encarregariam da missão que não teve sucesso, conforme eu já esperava. A meu pedido, isto ficou guardado em segredo, inclusive de meus amigos mais chegados Foi uma grande frustração da minha vida. Eu nem sei se seria aproveitado já que apenas seríamos mais testados com um grupo fechado por mais algum tempo. Passado isto, voltei para Caçapava, já que março se aproximava juntamente com o início do ano letivo e já estava matriculado no colégio. Fiquei com a sensação de que nunca mais jogaria futebol, mas logo depois já me encotrava nos campinhos da Piscina, do Hermínio e da Casa da Moda com meus amigos de sempre. Depois acabei virando bancário por 17 anos. De tudo isto, o pior foi a perda do grande amigo Neidir que teve sua vida interrompida poucos anos depois. Agradeço muito à Rosane por ter me acolhido em sua casa, a mesma que vive até hoje, com seu filho Ernani, na Rua Euclides da Cunha. Este texto ficou como rascunho desde a criação do blog, pois não tinha a intenção de publicá-lo, até que minha irmã, Fernanda, leu e pediu que divulgasse, já que tem pessoas muito legais envolvidas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário