
Em 1975, na época com 11 anos de idade, fui estudar como aluno interno no Colégio
Mauá em Santa Cruz do Sul. A escola, tipicamente Alemã, tinha valores extremamente rígidos. Na primeira semana de aula,
descobrí que não queria ficar mais lá e
fugí, pulando a janela do 2º andar. Era uma madrugada de sexta feira para sábado e como não havia linha de
ônibus direto a
Caçapava do Sul, peguei um até Cachoeira do Sul que fica na metade do caminho. Ao chegar na rodoviária da então "Capital Nacional do Arroz" (frase escrita com muito orgulho na parede da estação), me deparei com uma situação inusitada, pois não tinha com seguir viajem por não haver mais horários de
ônibus que me levassem à minha cidade naquele dia. A saída foi fazer uma ligação a cobrar para minha casa e confessar a fuga aos meus pais. Diante disto, os dois resolveram me buscar. Foram aproximadamente 120 km de
bronca o que durou cerca de 1 hora. Na chegada, já no final da tarde, lembrei que por ser dia 09 de
março, era aniversário do meu amigo Nilo Freitas que estava dando uma festa para comemorar a data. Imaginei que pelo tamanho da
bronca seria proibido de ir no aniversário, mas meus pais me liberaram depois de negociada minha volta ao internato no domingo, dia seguinte. O ano foi muito movimentado. Em j
ulho, quando fui passar férias em casa, cheguei com piolho,
aprendí a jogar futebol e ter uma boa base de inglês, requisito condicional da escola para quem não optasse por estudar alemão. Sem falar que fui reprovado em quase todas as disciplinas, o que convenceu Dona Júlia e Seu
Eno Miranda que seria melhor eu repetir o ano
letivo perto deles. Em 2006, 31 anos depois, fui em Santa Cruz, acompanhado do Eduardo, meu filho, visitar o primo e grande amigo
Felipe Miranda
Dorneles que cursava faculdade na cidade e visitei o internato que hoje funciona apenas como colégio. A estrutura estava intocável em relação ao passado, o que me trouxe muitas lembranças. Fiquei emocionado. O Fernando, assim como ajuda, também atrapalha. Não precisava o comentário da briga. Brincadeira, é verdade, tomei um soco no olho e a coisa ficou feia.
Parabéns, Flávio!!!
ResponderExcluirMuito boa estas suas "memórias" quando revela um bom escritor para seus amigos.Continue com estas estórias maravilhosas para nossa alegria. Grande abraço
Faltou referir que tu estava neste episódio com a cara inchada, muito provavelmente por uma briga desigual
ResponderExcluir